quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Guardião do décimo terceiro mês e o lançador de bumerangues!

Todos sabem que o Pai Natal não existe. Ainda assim, e à parte esta certeza partilhada por todo o indivíduo de idade superior a 10 anos, bem hajam as milhentas aldrabices que por aí se contam: do fato vermelho às barbas brancas sem omitir a infame lista dos meninos bonzinhos e marotos. Bem hajam todas essas balelas que sempre vão participando do fundamento para o décimo terceiro mês – se a vida do português já é dura, como seria sem o citado?

Com efeito, o Pai Natal não existe. Não se caia, entanto, no erro de pensar que, porque o velhote não anda lá a marcar o destino do povo com prenda ou não prenda, se está livre de castigo ou recompensa. Não, não, não…

Há por aí algo bem mais atento do que um velho caduco que continua a dar-se com renas não obstante os muitos protestos por parte da sociedade protectora dos animais. Esqueçam o Pai Natal mas temam… temam mesmo - O KARMA!

O Karma, não sei bem se ser, coisa ou força cósmica, já me tramou muitas vezes e compensou outras tantas. Estou seguro de que a vós também, se pensarem um pouco. Faz tudo parte do esquema de que o universo se serve para equilibrar as vivencias. A vida funciona de uma forma deveras estranha, mas a verdade é que funciona.

O Karma não tem, como tem o Pai Natal, direito a celebrações, copos de leite e biscoitos ou cânticos rejubilantes. Quanto muito lhe são concedidas umas mão cheias de referências em livros do oculto, revistas esotéricas, quiçá num par de revistas cor-de-rosa. Fala-se também muito dele em conversa de café, mas por aí se fica. Talvez o Karma se sinta seriamente subvalorizado e leve por isso tão a sério este papel de espécie de Robin dos Bosques que compensa e descompensa condutas de bem e de mal. Mas chega de ridículos esforços para dissecar os sentimentos do Karma como sujeito, que disparate!

Simplesmente anelo que se tenha muito cuidado com os bumerangues atirados ao vento. O Karma é muito brincalhão e lança-os de volta sem aviso… é uma chatice! Aquilo que se espalha pelo mundo o Karma devolve. Tenta lá bater isto, oh Pai Natal!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Voemos! [a speech on infatuation]

Assim, no turbilhão de contingências inesperadas que o acaso nos oferece, achei-me envolvido contigo num beijo… e noutro… e depois noutro. E errado está quem pensar que está só nos lábios, um beijo. Não senti culpa, não fui tomado por qualquer contrição. Gritem bem alto, em coro, atirem nomes feios na minha direcção! Gritem, que eu grito convosco – seria reles tantas vezes quantas me aprouvessem a mim e a vós para viver de novo aquela noite, e a seguinte e a outra.

Diz-me que estou certo por pensar que nada poderia haver de melhor! Não é certo, não é errado, apenas foi, apenas é. Pouco penso em se vamos voar só por mais um mês, um dia, um instante – pouco afecta. Importa que voamos agora! Deixa-me ver um pouco do mundo pelos teus olhos, deixa-me que te mostre de que cores pinto hoje o meu. Detalhes, guardo-os para mim, deixo-os só para nós. Digo apenas, baixinho, que isto cá dentro cresce, cresce…

Ever Thine
Ever Mine
Ever Ours
.”

A Padres e Putas!

Essa pretensão de integridade absoluta está deveras batida. Eu, não muito afável a religiosidades, recupero a celebre máxima que passo a citar: “aquele que dentre vos nunca pecou, atire a primeira pedra.” Ora, pobre do coitado que se visse hoje sujeito à prova deste desafio – choviam-lhe pedras! Mas, francamente, e hipocrisias à parte, quem nunca foi predador, somente presa!? Certo está que o cão ataca o gato, mas o rato, pobre diabo, tem o bichano a fazer-lhe a vida num inferno. Então que do céu caiam rochedos e nos levem os telhados – merecemos todos a morte.

De vez em quando, é ver padres e ver putas todos eles alinhados num aglomerado imenso. E que difícil é a tarefa de distingui-los, todos eles malévolos sorrisos de predador, todos eles amedrontados olhos de presa. Todos eles guerreiros, todos eles refugiados. Todos eles provaram da maçã e eis que entanto vogam mil pedras de cada lado. Eu atiro, tu atiras, ele atira. Nós atiramos.
.
Tudo aquilo o que de mim por aí se disser – é verdade! É tudo verdade! Quanto mais grave vos parecer, sei-o, mais verdade o será. E que isto se não leia como ironia! Quando os padres e as putas se alinham eu estou lá, sou parte do grupo. Tentem saber se sou mais malévolo sorriso de predador ou amedrontado olho de presa. Nem eu o sei bem. Desmascarem-me! “I’m mean and green and have a thousand eyes.”

terça-feira, 7 de abril de 2009

Viva o diletantismo que nos une.

Uma garrafa, um banco de jardim, conversa cruzada de lamentos e ensejos. “Um café e um copo de água, se faz favor”, e o sol brilha – “dás-me um cigarro?”, e o dia passa, assim, devagar. Um aperto de mão, “gostei de estar contigo”. Um beijinho, “obrigado por tudo”. Um acenar nostálgico já longe, “até a próxima”, “até amanhã”, “até para a semana”.

A saudade. Um bilhete, um avião, lugares distantes, “que corra tudo bem.” Uma noite entorpecida, um dia soalheiro na praia. Uma mensagem – “temos que combinar qualquer coisa.” “Que saudades!” Um encontro na rua, ao acaso, o assalto das memórias. E o tempo passa. São estas insignificâncias que vão deixando marca. São vocês que fazem a diferença. Vos sois quem realmente importa. Amo-vos! Até para a semana, até breve – e viva o diletantismo que nos une.
Aos amigos.

domingo, 5 de abril de 2009

É desta!

Ponto de viragem! É desta que me condescendo a manter o blogue e actualiza-lo com regularidade. Palavra!